segunda-feira, outubro 30, 2006

Espelho

Há duas irmãs mancas:

a que diz e a que é.


Uma clama vir a ser;

outra vive o não saber.


Uma quer a carne da outra,

que deseja o seu sabor.


Uma manca por destino.

Outra manca por fraqueza;


muitas vezes, por desleixo.

São duas irmãs, as mancas,


que dividem lar soturno:

nuvens passam adiante,


gritos ecoam no mundo.

Uma toma a mão da outra;


vem-lhe certa estranheza:

olha fundo em seus olhos,


vê-se neles com justeza.

Eles falam de horrores;


mas é desta a tristeza.

Ei-las: duas irmãs mancas:


se de uma jorra o sangue,

noutra vê-se a sua cor;


uma canta os lamentos,

outra sente a grande dor.


Vejo duas irmãs mancas:

uma é Frágil Gardênia.



Outra é Fingida Flor.

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