segunda-feira, outubro 30, 2006

Esboço para Uma Mística Geometria

Existe um ponto extremo,

coeso: o vértice do cone.


Nele há o grito primevo,

que ecoa na figura.

Dele parte o que ressoa

e para ele vai toda a geometria.


Nas paredes do módulo grava-se seu eco,

circunvagante em toda sua extensão.


O cone é o todo

e nasceu do ponto

e para ele converge.


Sendo este, em verdade,

um de fora. Um que lança suas vistas

sobre o todo.


Não é vértice,

também não existe cone —

o quadro é rico.

E o homem não desenvolveu o verbo

para definir o que se lhe avista à frente.


É plenilúnio pulsante

reluzente o ponto.

E a figura nele reverdece,

reverbera o seu interior.

Há cômodos, divisões,

tamanha a dela grandeza.


Por trás dos muros, a sombra

é o que impera: espectros,

fantasmagoria.


Expande-se vocacionado o módulo,

como se respirando do sopro

que vem do ponto. (O vértice.

O outro. De fora, lançando as vistas

ao todo.)


Estende-se e retorna. Para depois se estender.

E provoca rachaduras. Umas múltiplas fissuras

nos muros erigidos.


O grito nas altas colunas

racha seus alicerces. Quedando-se elas ao chão.


Polvilham-se, fenecem.


Agora sim então reverbera real a figura:

completa entoante ela é toda bailado,

também lábios cordatos, gesta. Composição.


Flutua em meio ao nada

— única existente —

A Notável Construção.

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